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As 33 Virtudes

Perdão

'Eu me perdoo'

Perdoar não é ser Deus que absolve, nem dar um prêmio a quem te feriu. É parar de vibrar ódio e mágoa sobre uma memória e passar a vibrar amor. O Eduardo Casarotto vira o senso comum do avesso: o perdão é natural, o que precisa de trabalho é entender por que você ainda não o libera.

OrgulhoRede de evitaçõesVibrar amor
Conhecimento · entender Seção 01

O que é perdão

A primeira quebra é a mais dura: você não perdoa ninguém no sentido de absolver. Dizer "eu te perdoo" de cima, como quem dá algo a alguém, é posição arrogante. Você não é autoridade absolvendo ninguém. Perdão, para o Eduardo, é outra coisa: é a vibração sobre uma memória. Enquanto você lembra de uma cena e ainda sente ódio ou mágoa, você não perdoou, mesmo que tenha dito que perdoou, mesmo que tenha voltado a conviver com a pessoa.

Perdoar é parar de vibrar ódio e mágoa e, no lugar, vibrar amor sobre aquela memória. E tem dois alvos: a pessoa e a cena. Dá para perdoar o João e ainda travar quando lembra da traição. Se você não parou de vibrar em relação à cena, ainda não terminou, montou defesa em cima daquela coisa, e continua ferido por dentro.

A frase-chave do Manual

"Perdoar não é permitir que o outro erre com você novamente. É parar de vibrar ódio e mágoa em relação a uma memória." O inconsciente confunde as duas coisas: acha que perdoar é abrir a porta para ser ferido de novo. Não é. Perdoar não muda o que a pessoa vai fazer, muda o que aquela memória faz com você.

O perdão é natural, o não perdão é neurótico

Aqui o Eduardo dá a novidade que assusta: o ser humano é bom, o amor é natural, todo mundo quer perdoar. Tanto que não perdoar vira um cabo de guerra dentro de você, uma parte dizendo "perdoa" e outra resistindo. Se o perdão não fosse natural, não haveria briga nenhuma. Ou seja, ninguém precisa aprender a perdoar. O trabalho é descobrir por que você não libera o perdão, porque cada não perdão vira, cem por cento das vezes, um processo neurótico.

Por que não liberamos o perdão

O Eduardo mapeia as travas. Reconhecer a sua é meio caminho.

Orgulho

O orgulho é a necessidade de ter importância. Se você perdoa, teme parecer trouxa e fraco aos olhos dos outros. Sempre há alguém na sua cabeça dizendo "você é idiota se perdoar".

Mecanismo de defesa

Não perdoar vira escudo. "Se eu não perdoar, me protejo de sofrer de novo." Mas dor faz parte da vida, e quem evita a dor evita a vida.

Busca por justiça

Quem exige que o errado pague nunca perdoa. O perdão não é justo. Para perdoar, você tem que ir contra a justiça dos homens.

Projeção da punição

Quem não se perdoa não perdoa o outro. A pessoa projeta no outro o próprio não autoperdão. Cura-se com o autoperdão.

Fantasia reparadora

"Se eu perdoar, ela não aprende." Você não é professor do universo. Deixe a vida ensinar e pare de fritar no ódio achando que educa alguém.

Faixas de evolução

Exigir que o outro não erre é como esperar que o cachorro faça xixi no vaso. Cada um entrega o que a faixa dele tem. Nunca calcule o merecimento do outro para perdoá-lo.

Aceitação vem antes

Não dá para perdoar o que não se aceita. Primeiro você aceita que aquilo aconteceu e não pode ser mudado, depois libera o perdão. Por isso o Eduardo diz para trabalhar aceitação junto com perdão, sempre. Sem aceitação, a pessoa fica em negação, racionalizando, e não toca no que dói.

A rede de evitações

Quando você não perdoa, o ódio e a mágoa se instalam e você começa a evitar tudo que lembra aquela dor, sem perceber. Foi traído, e de repente não namora mais, trabalha demais só para não ter tempo, muda o comportamento inteiro e racionaliza como se fosse escolha. Isso é a rede de evitações: você evita a vida para não repetir a dor. Quando o perdão é liberado, essa rede inteira se desmancha de uma vez. É por isso que o perdão é tão poderoso.

O erro quase nunca é sobre você

O orgulhoso pensa "ninguém pode errar comigo". Mas noventa por cento dos erros que as pessoas cometem contra a gente acontecem porque elas não pensaram na gente, não porque queriam te ferir. Perceber isso quebra o orgulho e abre o perdão.

Ser pago com ingratidão

Há um estágio mais alto dentro do perdão. Fazer o bem a alguém que depois te fere é ingratidão, e continuar vibrando amor mesmo assim é o limite da evolução, um trabalho de anos. O Eduardo é honesto: ele mesmo levou muito tempo para chegar perto disso. Não se começa por aí. Primeiro se trabalha o orgulho, as faixas, a aceitação. A ingratidão é o último dos últimos.

Habilidade · praticar Seção 02

Como desenvolver o perdão

A afirmação do Perdão tem como refrão-âncora "Eu me perdoo". Ela se lê em voz alta e se escreve à mão, todos os dias, junto dos sete passos do protocolo. Use sempre a afirmação canônica integral do Manual, sem encurtar nem modificar.

Como se pratica

A técnica completa está na página Afirmações Mentais. Abaixo, os mesmos sete passos aplicados ao Perdão. Siga por inteiro: pular qualquer um reduz a inscrição da virtude no cérebro.

Os sete passos do Perdão

1

Entender

Entender que perdão é parar de vibrar ódio e mágoa sobre uma memória e vibrar amor, não é absolver ninguém. E que o perdão é natural: o trabalho é descobrir por que você não libera.

2

Reconhecer

Enxergar qual é a sua trava: orgulho, defesa, busca por justiça, projeção, fantasia de educar o outro ou não compreender as faixas. E achar as pessoas na sua mente que te chamariam de trouxa se você perdoasse.

3

Afirmar

Ler a afirmação do Perdão em voz alta de manhã e à noite, e escrever uma vez por dia. Use sempre a afirmação canônica integral do Manual.

4

Ancorar

Levar o refrão "Eu me perdoo" ao longo do dia, no celular, num cartão, na mente. É a âncora que mantém o perdão ativo.

5

Treinar

Fazer o exercício do perdão, mesmo sem vontade. Praticar sem vontade é o mais valioso: é quando a nova via neural se fortalece.

6

Pausar no gatilho

Quando a memória disparar o ódio ou a mágoa: respira, conta até cinco e escolhe "eu vibro amor no lugar disso". A pausa interrompe o automatismo do rancor.

7

Registrar e repetir

Anotar no diário quem e qual cena você perdoou hoje, e o que ainda arde, e repetir o ciclo. O registro consolida, a repetição vira estrutura permanente.

A afirmação do Perdão

Esta é a afirmação canônica, do Manual de Eduardo Casarotto. Leia em voz alta ao menos três vezes por dia e escreva uma vez por dia, por inteiro, sem alterar as palavras.

Afirmação do Perdão

Eu sou a virtude em forma de perdão
Eu me perdoo de todo mal que já fiz
Pelo mal consciente e pelo mal inconsciente
Eu me perdoo
Pelo mal com intenção e pelo mal sem intenção
Eu me perdoo
Eu vibro amor no lugar da raiva
Eu vibro amor no lugar da mágoa
Pois eu perdoo quem me feriu
A culpa não faz parte da minha vida
Pois eu me perdoo
A tristeza não faz parte da minha vida
Pois eu me perdoo
A autossabotagem não faz mais parte da minha vida
Pois eu me perdoo
Que o amor que vibro agora chegue para todos que me ofenderam e me feriram
Que o amor que vibro agora transborde meu coração de luz e paz
Pois eu perdoei a mim e a todos que passaram em minha vida

O exercício

Faça uma grande lista com todas as pessoas que te feriram, magoaram ou fizeram algum mal, e liste também as cenas, cada situação específica. Diante de cada pessoa e de cada cena, trabalhe para parar de vibrar ódio e mágoa e vibrar amor. Não fique discutindo o quanto aquilo foi errado: se é perdão, já está embutido que foi um erro. Tire o volume do erro e coloque no perdão. Para cada item, lembre que a pessoa entregou o que a faixa dela tinha e que, quase sempre, ela nem estava pensando em você.

Meditação, reflexão e prática do dia

Medite sobre uma memória que ainda arde e visualize-se vibrando amor no lugar do ódio, sem parecer trouxa aos olhos de ninguém. Reflita: "quem, na minha cabeça, me chamaria de idiota se eu perdoasse? As pessoas podem errar comigo?". Pratique: escolha uma pessoa e uma cena da sua lista e trabalhe o perdão delas hoje, sobre a pessoa e sobre a cena.

Para o terapeuta: o manejo

Não dê volume ao erro. Se você fica em "nossa, como foi errado", alimenta a posição de criança desejada que quer acolhimento por ter sido ferida, e prende o cliente nesse lugar. Reconheça o erro rápido e leve para "e agora, o que você vai fazer com isso?". Ache as pessoas específicas que aparecem na tela mental julgando o perdão e trabalhe cada uma, enquanto vai baixando o orgulho até a pessoa se tornar humilde. E lembre: perdão sem aceitação não acontece, então trabalhe as duas juntas.

Atitude · viver Seção 03

Como o perdão aparece na vida

Quando o perdão cresce, o rancor deixa de ser o motor. A rede de evitações se desmancha e a pessoa volta a viver o que estava evitando, o amor, o relacionamento, o risco de recomeçar. Some aquela sensação de estar sempre em guarda, sempre bravo, sempre magoado. O Eduardo é direto: quem frita no ódio por anos acaba com aquele rancor virando personalidade, e cada perdão liberado é um pedaço dessa dureza que se dissolve.

Perdoar também é sair da arrogância de determinar o que na vida foi bom ou ruim. Muita coisa dolorosa acabou levando a pessoa para um lugar melhor do que ela seria. Quando isso é percebido, dá até para agradecer àquela situação, em vez de vibrar ódio por ela. O perdão é humano; ele nos tira do animal que se defende do passado e nos devolve à realidade, ao aqui e agora, onde nada está te ferindo neste momento.

Sinais de que está crescendo

Você lembra da cena e não vem mais o aperto no peito. Aceita que as pessoas erram, porque cada uma está numa faixa. Para de calcular se o outro merece ser perdoado. E percebe quando o orgulho quer te convencer de que perdoar é ser trouxa, e escolhe o amor mesmo assim.

Reflita e discuta As 10 perguntas do Perdão

Perguntas para se questionar

Reflita sobre cada pergunta com honestidade e, se puder, discuta com outras pessoas. É na troca com um igual, não com o terapeuta, que o perdão começa a se soltar.

  1. Você acredita que perdoou alguém de verdade na vida? Você ainda sente mágoa ou ódio dessa pessoa?
  2. Você já se perdoou sobre algo que fez de errado?
  3. Você consegue perdoar as pessoas que te fizeram algum mal para você ou para a sua família?
  4. Você é capaz de desejar o bem para a pessoa que te prejudicou?
  5. Quando você perdoa, ainda fica com a esperança de que a pessoa seja punida por algo divino ou pela justiça?
  6. O que você diria para a pessoa que te perdoa de um erro que você cometeu com ela?
  7. Você já pediu perdão a alguém? Você se sentiu uma pessoa mais humilde ou arrogante?
  8. O que está te impedindo de perdoar agora mesmo uma pessoa que te prejudicou ou magoou?
  9. Se você não conseguir perdoar, ou seja, parar de vibrar ódio e mágoa para as pessoas que te fizeram mal, o que acha que pode te acontecer?
  10. Como você vai se sentir depois que conseguir perdoar todas as pessoas?