Aparelho Psíquico · exercícios
O Mapa do Orgulho
O orgulho é o ponto zero de quase toda neurose, e ele se disfarça de mil formas. Este material abre o mapa das expressões, traz as perguntas de reflexão que o Eduardo usa em roda, e ensina a construir o novo grupo de ideias. É o lado prático do módulo Orgulho e Egoísmo.
As expressões, por vetor
No centro está o orgulho. Dele saem dezenas de expressões. O Eduardo orienta trabalhar uma de cada vez: cada expressão é um grande guarda-chuva de comportamentos, e atrás de cada comportamento existe uma ideia. Organizamos o mapa nos três vetores da aula.
Reconhecimento e validação
A busca de importância pelo olhar do outro. Do parabéns por uma coisinha ao grande prêmio, é o mesmo sistema.
Dominância e competição
Vencer o outro, dominar o espaço e o grupo, controlar. O orgulho encostado no egoísmo.
Inflexibilidade e defesa
Como a pessoa reage quando o valor é diminuído. Não aceitar crítica, erro nem mudar de ideia.
Os disfarces do orgulho
O orgulho é astuto e aparece onde menos se espera. O Eduardo dá exemplos que o virtólogo precisa reconhecer no discurso.
A simplicidade anunciada
Quem verbaliza "eu gosto mesmo é de arroz com feijão, não ligo para marca" está pedindo aprovação: eu sou mais importante porque sou mais simples que você. Anunciar algo é pedir aceitação sobre esse algo.
A timidez e a vergonha
Parecem humildade, são o contrário. A pessoa se cala porque não suporta ser criticada. A inibição é um sintoma, e a causa é o orgulho. Por isso o velho fica velho: não tenta o novo para não se expor ao erro. Foi assim que uma geração inteira não quis mexer com tecnologia.
"Tenho orgulho do meu filho"
É projeção da conquista. A conquista foi do filho, mas a pessoa ganha importância com ela. O saudável seria "fico feliz por ele". O mesmo vale para orgulho da casa, da profissão: no lugar da gratidão, a importância extraída da coisa.
Quando somos orgulhosos, ficamos resistentes a tocar no que incomoda. Entram os mecanismos de defesa: negação, racionalização, projeção. Cada vez que nos defendemos, nos afastamos da realidade e da solução. É por isso que aquilo que te defende, te destrói.
As perguntas de reflexão
O Eduardo usa estas perguntas em roda, no consultório, no grupo, na cadeia. Cada um dá a sua opinião, e a discussão conduz a uma nova ideia sobre o próprio valor. São um começo: você pode criar cem. Leve-as para o cotidiano e responda com sinceridade.
- Quando você é criticado ou alguém não concorda com você, fica nervoso, ansioso ou triste?
- Você gostaria de ser famoso, de ter autoridade sobre as pessoas?
- Você gostaria que ninguém mandasse em você?
- Você busca fazer com que as pessoas te respeitem? Acha que com status seria mais respeitado?
- Se você for humilde, acha que as pessoas vão te prejudicar ou te passar para trás?
- Você repara o quanto pensa no que os outros estão pensando de você?
- Você evita tentar coisas novas para não passar por errado ou por fracassado?
- Quando faz algo bom e ninguém reconhece, o que você sente?
- Você concorda que quem quiser ser o primeiro deve servir aos outros?
- O pobre pode ser orgulhoso e o rico pode ser humilde. O que isso diz sobre você?
Faça uma pergunta por vez e deixe cada um trazer a sua visão. A troca de percepções abre espaço para a nova ideia. Depois da roda, oriente registrar no Diário de Reatividade os incômodos, nervosos e tristezas do dia a dia, porque quase sempre eles vêm do orgulho.
Construir o novo grupo de ideias
Mudar o orgulho não é trocar uma ideia, é trocar muitas. Cada pergunta e cada expressão revela uma ideia antiga a ser substituída. O trabalho é formular a ideia nova e treiná-la até virar memória de longo prazo.
Ideia antiga: se eu for famoso, terei autoridade sobre as pessoas.
Nova ideia: eu posso ser reconhecido, mas isso não me dá autoridade sobre ninguém.
Ideia antiga: pedir ajuda e dizer que não sei é fraqueza, diminui o meu valor.
Nova ideia: reconhecer que não sei e pedir ajuda é maturidade, e maturidade aumenta o meu valor.
Os sete passos da neuroplasticidade
Para a nova ideia virar automática, o cérebro precisa percorrer os sete passos. É o mesmo caminho pelo qual se aprende na escola.
- Presença: estar atento no momento em que o gatilho acontece.
- Repetição: repetir a nova ideia com constância.
- Experimentação: viver situações que a testam.
- Escrita: escrever a nova ideia e as percepções.
- Fala em voz alta: verbalizar a nova ideia.
- Vivência prática: exercícios comportamentais graduais.
- Consolidação: repetir até virar memória de longo prazo.
Formule as afirmações na linguagem do cliente e adequadas à faixa dele. Uma afirmação alta demais para a faixa vira Persona, não mudança real. Trabalhe a faixa atual e, no máximo, a seguinte.