voltar para Mecanismos da Psique
MDP Estudos

Aparelho Psíquico · exercícios

O Mapa do Orgulho

O orgulho é o ponto zero de quase toda neurose, e ele se disfarça de mil formas. Este material abre o mapa das expressões, traz as perguntas de reflexão que o Eduardo usa em roda, e ensina a construir o novo grupo de ideias. É o lado prático do módulo Orgulho e Egoísmo.

Seção 01

As expressões, por vetor

No centro está o orgulho. Dele saem dezenas de expressões. O Eduardo orienta trabalhar uma de cada vez: cada expressão é um grande guarda-chuva de comportamentos, e atrás de cada comportamento existe uma ideia. Organizamos o mapa nos três vetores da aula.

01

Reconhecimento e validação

A busca de importância pelo olhar do outro. Do parabéns por uma coisinha ao grande prêmio, é o mesmo sistema.

vaidadebusca de famabusca de sucessonecessidade de aprovaçãoestrelismonarcisismosimplicidade anunciada
02

Dominância e competição

Vencer o outro, dominar o espaço e o grupo, controlar. O orgulho encostado no egoísmo.

necessidade de podercontrolesoberbainvejavingançaagressividade e iraindependência excessiva
03

Inflexibilidade e defesa

Como a pessoa reage quando o valor é diminuído. Não aceitar crítica, erro nem mudar de ideia.

arrogânciaresistênciatimidezvergonhaevitação da críticamentiramecanismos de defesa
Seção 02

Os disfarces do orgulho

O orgulho é astuto e aparece onde menos se espera. O Eduardo dá exemplos que o virtólogo precisa reconhecer no discurso.

A simplicidade anunciada

Quem verbaliza "eu gosto mesmo é de arroz com feijão, não ligo para marca" está pedindo aprovação: eu sou mais importante porque sou mais simples que você. Anunciar algo é pedir aceitação sobre esse algo.

A timidez e a vergonha

Parecem humildade, são o contrário. A pessoa se cala porque não suporta ser criticada. A inibição é um sintoma, e a causa é o orgulho. Por isso o velho fica velho: não tenta o novo para não se expor ao erro. Foi assim que uma geração inteira não quis mexer com tecnologia.

"Tenho orgulho do meu filho"

É projeção da conquista. A conquista foi do filho, mas a pessoa ganha importância com ela. O saudável seria "fico feliz por ele". O mesmo vale para orgulho da casa, da profissão: no lugar da gratidão, a importância extraída da coisa.

O que te defende te destrói

Quando somos orgulhosos, ficamos resistentes a tocar no que incomoda. Entram os mecanismos de defesa: negação, racionalização, projeção. Cada vez que nos defendemos, nos afastamos da realidade e da solução. É por isso que aquilo que te defende, te destrói.

Seção 03

As perguntas de reflexão

O Eduardo usa estas perguntas em roda, no consultório, no grupo, na cadeia. Cada um dá a sua opinião, e a discussão conduz a uma nova ideia sobre o próprio valor. São um começo: você pode criar cem. Leve-as para o cotidiano e responda com sinceridade.

  1. Quando você é criticado ou alguém não concorda com você, fica nervoso, ansioso ou triste?
  2. Você gostaria de ser famoso, de ter autoridade sobre as pessoas?
  3. Você gostaria que ninguém mandasse em você?
  4. Você busca fazer com que as pessoas te respeitem? Acha que com status seria mais respeitado?
  5. Se você for humilde, acha que as pessoas vão te prejudicar ou te passar para trás?
  6. Você repara o quanto pensa no que os outros estão pensando de você?
  7. Você evita tentar coisas novas para não passar por errado ou por fracassado?
  8. Quando faz algo bom e ninguém reconhece, o que você sente?
  9. Você concorda que quem quiser ser o primeiro deve servir aos outros?
  10. O pobre pode ser orgulhoso e o rico pode ser humilde. O que isso diz sobre você?
Como conduzir

Faça uma pergunta por vez e deixe cada um trazer a sua visão. A troca de percepções abre espaço para a nova ideia. Depois da roda, oriente registrar no Diário de Reatividade os incômodos, nervosos e tristezas do dia a dia, porque quase sempre eles vêm do orgulho.

Seção 04

Construir o novo grupo de ideias

Mudar o orgulho não é trocar uma ideia, é trocar muitas. Cada pergunta e cada expressão revela uma ideia antiga a ser substituída. O trabalho é formular a ideia nova e treiná-la até virar memória de longo prazo.

Ideia antiga: se eu for famoso, terei autoridade sobre as pessoas.

Nova ideia: eu posso ser reconhecido, mas isso não me dá autoridade sobre ninguém.

Ideia antiga: pedir ajuda e dizer que não sei é fraqueza, diminui o meu valor.

Nova ideia: reconhecer que não sei e pedir ajuda é maturidade, e maturidade aumenta o meu valor.

Os sete passos da neuroplasticidade

Para a nova ideia virar automática, o cérebro precisa percorrer os sete passos. É o mesmo caminho pelo qual se aprende na escola.

  1. Presença: estar atento no momento em que o gatilho acontece.
  2. Repetição: repetir a nova ideia com constância.
  3. Experimentação: viver situações que a testam.
  4. Escrita: escrever a nova ideia e as percepções.
  5. Fala em voz alta: verbalizar a nova ideia.
  6. Vivência prática: exercícios comportamentais graduais.
  7. Consolidação: repetir até virar memória de longo prazo.
Ajuste pela faixa

Formule as afirmações na linguagem do cliente e adequadas à faixa dele. Uma afirmação alta demais para a faixa vira Persona, não mudança real. Trabalhe a faixa atual e, no máximo, a seguinte.