As 33 Virtudes
Paciência
'Eu tenho paciência'
A paciência é respeitar o tempo natural da vida em vez de impor a sua própria velocidade. É aceitar que o outro pode errar, pode não entender, pode ser falho. No fundo, é largar a arrogância de achar que tudo tem que ser do seu jeito e no seu tempo.
O que é paciência
Na Virtologia de Eduardo Casarotto, paciência é respeitar o tempo natural da vida e o tempo dos outros, sem impor a própria velocidade. É aceitar a velocidade em que as coisas se resolvem, deixar de achar que tudo precisa acontecer no seu tempo, e não deixar as preocupações e os compromissos valerem mais do que a harmonia dentro de casa.
Um ponto importante: a paciência caminha junto com a tolerância diante da falha do outro. Ter paciência é aceitar que o outro pode errar, pode não entender e pode ser falho, sem que isso vire irritação. É por isso que ela aparece de forma tão clara nos relacionamentos e na convivência em família.
O que rouba a paciência
Por trás da impaciência estão sempre os mesmos vícios. O Eduardo aponta três com nome e sobrenome, e todos eles têm a ver com o orgulho de achar que o mundo deveria girar na sua velocidade e do seu jeito.
Imediatismo e pressa
A vontade de que tudo se resolva agora, na sua velocidade. Impor o próprio ritmo à vida e aos outros, sem respeitar o tempo natural de cada coisa.
Arrogância
Achar que as coisas têm que ser no seu tempo e do seu jeito. É a arrogância que faz a pessoa não suportar esperar e não respeitar o tempo do outro.
Intolerância
Não aceitar o erro, a limitação ou a demora do outro. Nasce do orgulho e transforma qualquer falha alheia em motivo de irritação.
Nem toda "perda de paciência" é falta de paciência de verdade. Muitas vezes o que parece impaciência é, na raiz, julgamento do outro. Vale olhar com honestidade: eu perdi a paciência ou eu estava julgando? A virtude certa para cada situação nem sempre é a que aparece na superfície.
Uma dúvida comum é achar que a pessoa paciente é passiva ou ingênua. Não é. Ter paciência é o que permite tomar boas decisões, encontrar as respostas que você procura e chegar a boas soluções, justamente porque você não age no impulso da pressa. Quem decide sem paciência decide mal.
Como desenvolver a paciência
A afirmação da Paciência tem como refrão-âncora "Eu tenho paciência". Ela se lê em voz alta e se escreve à mão, todos os dias, junto dos sete passos do protocolo. Use sempre a afirmação canônica integral do Manual, sem encurtar nem modificar.
A técnica completa está na página Afirmações Mentais. Abaixo, os mesmos sete passos aplicados à Paciência. Siga por inteiro: pular qualquer um reduz a inscrição da virtude no cérebro. O Eduardo lembra que uma reprogramação neural pede cerca de vinte e seis dias seguidos, então é repetir, repetir e repetir.
Os sete passos da Paciência
Entender
Entender que paciência é respeitar o tempo natural da vida e do outro, e que a impaciência nasce do imediatismo, da arrogância e da intolerância. É o que você leu na seção anterior.
Reconhecer
Fazer a lista do que normalmente te tira a paciência: filas, pessoas que não entendem, crianças, gente de outra cultura. Pergunte a amigos e familiares, o olhar de fora ajuda a enxergar.
Afirmar
Ler a afirmação da Paciência em voz alta de manhã e à noite, e escrever uma vez por dia. Use sempre a afirmação canônica integral do Manual.
Ancorar
Levar o refrão "Eu tenho paciência" ao longo do dia, no celular, num cartão, na mente. É a âncora que mantém a virtude ativa.
Treinar
Pegar a lista das situações que te irritam e viver essas situações de propósito, treinando não perder a paciência. Praticar quando é difícil é o que fortalece a nova via neural.
Pausar no gatilho
Quando a irritação com a demora ou com a falha do outro disparar: respire e escolha respeitar o tempo daquilo, lembrando que o outro pode errar e ser falho. A pausa interrompe o automatismo.
Registrar e repetir
Anotar onde você perdeu e onde manteve a paciência hoje, e repetir o ciclo. O registro consolida, a repetição vira estrutura permanente.
A afirmação da Paciência
Esta é a afirmação canônica, do Manual de Eduardo Casarotto. Leia em voz alta ao menos três vezes por dia e escreva uma vez por dia, por inteiro, sem alterar as palavras.
Eu sou a virtude em forma de paciência
O imediatismo não faz mais parte de mim
Eu tenho paciência
A pressa não faz mais parte mim
Pois eu tenho paciência
A ansiedade não faz mais parte de mim
Eu tenho paciência
Eu domino minha arrogância e não acho que as coisas tem que ser no meu tempo
Eu respeito o tempo natural da vida
Eu tenho paciência
Eu não deixo as preocupações e os compromissos terem mais importância do que a harmonia no meu lar
Eu tenho paciência
Eu aceito a velocidade em que as coisas se resolvem e não imponho a minha velocidade
Eu tenho paciência
Eu respeito a velocidade e tempo dos outros
Eu tenho paciência
Eu domino meu orgulho e a intolerância não faz mais parte de mim
Eu tenho paciência
Eu aceito que o outro pode errar
Eu aceito que o outro pode não entender
Eu aceito que o outro seja falho
Eu tenho paciência
O exercício
Primeiro, faça uma lista do que normalmente tira a sua paciência: esperar em fila, pessoas que não entendem o que você fala, gente de outra cultura, crianças brincando. Pergunte a amigos e familiares o que faz você perder a paciência, porque o olhar de fora enxerga o que você não vê. Depois, diante de cada item da lista, reflita sobre o porquê de aquilo te tirar do sério.
Em seguida, leve o conhecimento para a atitude: pegue essa mesma lista e vá vivenciar essas situações de propósito, treinando não perder a paciência. A virtude é uma competência, e competência se desenvolve com prática. Quanto mais atitude, mais habilidade você ganha.
Medite sobre respeitar o tempo natural da vida, visualizando as coisas se resolvendo no ritmo delas, sem você empurrar. Reflita: "onde eu imponho a minha velocidade? Onde eu não tolero que o outro erre, demore ou não entenda?". Pratique: escolha hoje uma situação de espera ou de falha do outro e atravesse ela repetindo, com calma, "eu tenho paciência", aceitando que o outro é falho.
Como a paciência aparece na vida
Quando a paciência cresce, os relacionamentos respiram. A pessoa para de impor a própria velocidade e passa a respeitar o tempo dos outros, o que muda por completo a convivência em casa. A harmonia do lar deixa de ser sacrificada em nome das preocupações e dos compromissos. E a tolerância aparece: o erro, a limitação e a demora do outro deixam de ser motivo de explosão.
A paciência também melhora as suas decisões. Sem a pressão da pressa, você consegue esperar, encontrar as respostas que procura e chegar a boas soluções. É por isso que ela caminha lado a lado com a aceitação: aceitar que o outro é falho e que a vida tem o seu próprio tempo é o que sustenta a paciência no dia a dia.
Você consegue esperar sem que a espera vire sofrimento. Repete a mesma explicação para quem não entendeu sem se irritar. Aceita o erro do outro sem transformar aquilo na sua raiva. E percebe que suas melhores decisões vêm quando você não está com pressa.
Perguntas para se questionar
Reflita sobre cada pergunta com honestidade e, se puder, discuta com outras pessoas. É no atrito com a própria pressa que a paciência começa a aparecer.
- Quando você acha que perde a paciência?
- Você tem paciência para falar repetidamente, várias vezes a mesma coisa, para alguém que não está entendendo o que está dizendo?
- Você tem paciência com o erro ou com a limitação dos outros?
- Você acha que toma boas decisões quando não tem paciência?
- Você sabe esperar?
- Você acha que quando tem paciência pode encontrar as respostas que procura?
- Ter paciência pode te ajudar nos seus relacionamentos?
- Ser uma pessoa paciente é ser bobo?
- Ser mais paciente pode te ajudar a encontrar boas soluções na vida? Por quê?
- Quando alguém faz algum mal a você, como reage?
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