Necessidades Humanas · Grupo 1
A necessidade do Orgasmo
O orgasmo, na Virtologia de Eduardo Casarotto, é a descarga bioenergética que resolve o acúmulo de tensão sexual. Como toda necessidade do Grupo 1, ele é gasolina no tanque psíquico, o suporte que sustenta o funcionamento, não o comportamento em si. Uma coisa é a necessidade, outra é o desejo, que é a necessidade já vestida de linguagem, cultura e símbolo.
Descarga, não comportamento
Dentro do Grupo 1, as Necessidades Primitivas, o orgasmo funciona como uma válvula. Ele existe para resolver o acúmulo de tensão sexual que o corpo produz, uma descarga bioenergética que devolve o organismo a um estado de repouso. É importante separar duas coisas que costumam se misturar na conversa cotidiana: a necessidade em si, que é fisiológica e universal, e o desejo, que é essa mesma necessidade já traduzida em linguagem, cultura e símbolo, moldada pelo que cada época e cada pessoa aprenderam a valorizar.
Como as demais necessidades do Grupo 1, o orgasmo se lê numa escala de intensidade de zero a dez. Abaixo de quatro fala-se em carência, entre quatro e sete em homeostase, acima de sete em excesso. O número não é um veredito, é uma bússola para a investigação clínica.
O Grupo 1 está ligado ao tronco cerebral e ao sistema límbico, a camada mais antiga do funcionamento psíquico. É por isso que essa necessidade conversa de perto com outros temas já trabalhados no MDP Estudos, como a Falta de Unidade e o Orgulho: todos nascem na mesma região primitiva, antes de qualquer elaboração consciente.
A função do orgasmo
O autor clássico dessa discussão é Wilhelm Reich, na obra A Função do Orgasmo (1927). A ideia central de Reich, parafraseada aqui e não citada literalmente, é que a saúde psíquica depende da capacidade de a pessoa se abandonar, livre de inibições, ao fluxo da própria energia biológica. Onde esse abandono não acontece, diz o autor, a energia represada vira terreno fértil para tensão crônica e sofrimento psíquico.
Vale marcar com clareza: o parágrafo acima é uma síntese da ideia de Reich, não um trecho literal do livro. Quem quiser a formulação exata do autor precisa consultar a obra original.
O que o corpo libera
A resposta orgástica mobiliza um conjunto de substâncias que, juntas, explicam por que a experiência é ao mesmo tempo prazerosa, vinculante e apaziguadora.
Dopamina
Sustenta o circuito de prazer e recompensa, o motor que empurra em direção ao encontro sexual.
Ocitocina
O hormônio do vínculo, liberado no contato físico e no clímax, associado à sensação de aproximação e confiança.
Serotonina e endorfinas
Trazem a sensação de bem-estar e alívio que costuma seguir o orgasmo, o relaxamento depois da descarga.
Testosterona
Participa da regulação do desejo e da resposta sexual, presente em graus variados em homens e mulheres.
Freud, Fisher e Kinsey
Reich não é a única referência que ajuda a compor esse quadro. Três outros nomes contribuem, cada um por um ângulo diferente.
Freud
Cunhou o conceito de libido, a energia psíquica de base sexual que, para ele, atravessa e organiza boa parte da vida mental.
Helen Fisher
Descreve três sistemas do amor que operam de forma distinta no cérebro: desejo, atração e apego. O orgasmo dialoga sobretudo com o primeiro.
Alfred Kinsey
Pesquisou o comportamento sexual humano em larga escala, ajudando a tirar o tema do silêncio e trazê-lo para o campo da observação científica.
Carência, homeostase e excesso
Carência
A descarga não acontece ou acontece de forma insatisfatória, deixando tensão represada, inibição ou evitação do encontro sexual.
Homeostase
A necessidade é atendida de forma regulada, sem urgência nem represamento. O tanque tem o combustível na medida.
Excesso
A busca pela descarga vira compulsão, e a compulsão sexual pode ser lida, nesse quadro, como excesso desregulado dessa necessidade.
Uma necessidade que não vive sozinha
Na prática clínica, o orgasmo raramente aparece isolado. Ele cruza com a necessidade de Contato Físico, com a necessidade de Vínculo e, quando a busca sexual carrega uma urgência que não se explica só pelo corpo, pode estar servindo como tentativa de Solucionar a Falta, uma forma de preencher, por essa via, um vazio que teve origem em outro lugar.
Quando o excesso aparece, vale investigar o que está por trás da busca: se é a necessidade em si pedindo regulação, ou se o orgasmo virou um atalho repetido para tentar resolver uma falta mais antiga.
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