Lei 12 de 22 · o contexto absoluto da existência
A Lei do Gênero
Quem só empurra vira trator. Quem só acolhe vira esponja.
Duas forças internas que precisam trabalhar juntas: uma que faz, decide e estrutura, outra que escuta, acolhe e amadurece. Independe de ser homem ou mulher, e o desequilíbrio mutila a capacidade de criar. É a lei que mais aparece na clientela feminina, e quase sempre pelo mesmo lado.
As duas forças que moram dentro
Dentro de cada pessoa moram duas forças que precisam trabalhar juntas. Uma que faz, decide, empurra e estrutura. Outra que escuta, acolhe, sente e amadurece.
A questão independe de ser homem ou mulher. Homens e mulheres carregam as duas.
Quem só empurra vira trator. Quem só acolhe vira esponja
O trator realiza muito e atropela tudo, inclusive a si. A esponja sente tudo e não constrói nada.
Repare nos seus melhores momentos: quase sempre as duas forças estavam em campo. E nos piores: quase sempre uma delas tinha sido expulsa do jogo.
O lado que foi recalcado
O desequilíbrio é sempre o mesmo desenho: hipertrofiar um princípio e recalcar o outro. E o recalcado cobra por sintoma.
Como isso aparece
O executivo que só opera no princípio ativo, meta, controle e conquista, chega com o corpo em greve: insônia, hipertensão, vazio. O trabalho não é desacelerar, conselho que ele despreza, é reintroduzir o princípio receptivo como competência. Escutar antes de decidir, gestar antes de lançar.
E este é o quadro mais comum na clientela da terapeuta: a mulher que aprendeu que valer é servir. Ela hipertrofiou a recepção e recalcou a estrutura. Não sustenta um não, não define fronteira. Integrar o princípio ativo é, para ela, o tratamento inteiro.
Na criação dos filhos, o pai que só cobra e a mãe que só consola oferecem meia educação cada. O filho precisa dos dois princípios, de preferência dentro de cada um dos dois.
Confundir princípio com papel social
O excesso desta lei é ela virar prescrição de comportamento por sexo.
Ela não diz que mulher deve acolher e homem deve agir. Papéis sociais de gênero são construção histórica.
A lei trata de princípios funcionais internos, presentes em todo ser humano. O critério de saúde é a integração deles, não a distribuição social.
Usar esta lei para justificar papel é erro grave, e desqualifica a Virtologia inteira diante de quem escuta.
Como ela aparece e como é pedida
Como se expressa quando falta o princípio ativo
Ela não sustenta um não, e recua no primeiro desconforto.
Decide pelo que agrada, e depois se ressente.
Não tem hora que é dela na semana.
Como se expressa quando falta o princípio receptivo
Ela decide antes de escutar, inclusive na sessão.
Não consegue esperar nada amadurecer.
Trata descanso como desperdício.
Como é pedida, sem ser nomeada
Eu não consigo dizer não.
Eu faço tudo sozinha.
Eu queria conseguir parar sem me sentir inútil.
Que sintoma a ausência dá
Ressentimento acumulado com quem ela mesma serviu.
Exaustão de quem carrega, sem conseguir nomear o peso.
Corpo com sintoma difuso, e nenhuma fronteira na agenda.
Insônia, hipertensão e vazio depois da conquista.
Relações que esfriam sem conflito aparente.
Decisão precipitada que precisa ser refeita.
Carl Jung deu anatomia ao princípio com os arquétipos da anima e do animus, o feminino interior do homem e o masculino interior da mulher. E no Mysterium Coniunctionis fez da união dos opostos a imagem central do processo de individuação: tornar-se inteiro é casar os princípios dentro de si.
O pensamento chinês esculpiu o mesmo no símbolo do Tao, com yin e yang entrelaçados, cada um portando o germe do outro.
O que perguntar e o que escutar
As perguntas
Você consegue dizer não? Quando foi a última vez?
Quem cuida de você?
Você decide antes ou depois de escutar?
Tem alguma hora da semana que é sua?
O que você precisa gerar agora, e com o quê?
Nas necessidades: o excesso ativo atropela as necessidades de vínculo e descanso. O excesso receptivo sacrifica as de autonomia, fronteira e realização.
A virtude de apoio: Honrar a Família, porque cada pessoa é literalmente fruto da conjunção dos dois princípios. Vem de um pai e de uma mãe e traz em si as duas linhagens, e honrar a origem dupla é o gesto concreto de integrar a dualidade que a constitui.
A versão para a cliente
Para falar com a pessoa
Dentro de você moram duas forças. Uma que faz, decide e organiza. Outra que escuta, acolhe e deixa amadurecer. Todo mundo tem as duas, homem e mulher.
Quem só usa a primeira vira trator: faz muita coisa e atropela tudo, inclusive a si mesma. Quem só usa a segunda vira esponja: sente tudo e não constrói nada.
A vida pede as duas juntas. Coragem com escuta, firmeza com carinho. E o que eu percebo é que uma delas foi tirada do jogo na sua vida. É essa que a gente vai trazer de volta.
Alinhada, a criação volta a ser possível. Em qualquer plano.