As 33 Virtudes
Individuação
'Eu vivo o meu EU mais profundo'
A individuação é o próprio caminho da terapia: soltar as convenções sociais, o superego e as máscaras para viver o eu mais profundo. Não é encontrar um eu escondido em algum lugar. É tirar camadas, uma a uma, até que quem sobra seja você.
O que é individuação
Na Virtologia de Eduardo Casarotto, a individuação é a virtude mais próxima da própria psicanálise: é deixar cair o superego, as crenças herdadas e o senso comum para viver quem você realmente é. Como o Eduardo diz, ninguém se encontra abrindo uma gaveta. A gente vai descobrindo o eu tirando camadas, e o primeiro passo não é saber quem eu sou, é saber quem eu não sou.
Casarotto abre o seu livro com esta ideia: "enquanto as pessoas não tiverem consciência do que elas não são, elas nunca terão consciência do que elas são". Reconhecer o que não é seu é o começo de toda individuação.
Onde você ganha energia e onde você gasta
Existe um termômetro simples. Quando você vive o seu eu, você ganha energia: sai de uma reunião, de um encontro, de um trabalho revigorado, cheio de combustível. Quando você veste uma máscara, uma persona, uma couraça de caráter, você gasta energia, porque está fazendo força para ser algo que não é. Repare em quais relações e ambientes você sai esvaziado. É ali que o eu se perdeu.
O eu e o sistema
Individuar-se não é abandonar a sociedade e ir viver nas margens: isso vira egoísmo e falta muita coisa para o seu processo. Também não é impor o seu eu em todo lugar, o que é pura arrogância. O jogo da vida está no meio do caminho: participar do sistema sendo você. Pagar as contas, cumprir compromissos e, ainda assim, não deixar de ser quem você é. Adequar-se ao que precisa, sem se violentar naquilo que fere o seu eu.
Aprovação e aceitação
De quem você ainda busca aplauso e reconhecimento. Os totens, o superego, as crenças e as pessoas que você quer agradar mentalmente.
Medo de perder
Quem você tem medo de perder e ficar sozinho. Os ganhos secundários que te prendem a relações e lugares que já não são seus.
Compromissos
O emprego, o cotidiano, a sobrevivência. Como adequar a vida prática ao eu, sem que o eu desapareça dentro dela.
Individuação não é a mesma coisa que individualidade ou liberdade solta. Uma mãe que precisa mostrar para todo mundo que é boa mãe, e por isso não dá autonomia ao filho, não sofre de excesso de individuação: é a falta de individuação dela, ainda presa ao olhar do outro, que trava. O trabalho começa na aceitação e na fé, não em soltar tudo.
Como desenvolver a individuação
A afirmação da Individuação tem como refrão-âncora "Eu vivo o meu EU mais profundo". Ela se lê em voz alta e se escreve à mão, todos os dias, junto dos sete passos do protocolo. Use sempre a afirmação canônica integral do Manual, sem encurtar nem modificar.
A técnica completa está na página Afirmações Mentais. Abaixo, os mesmos sete passos aplicados à Individuação. Siga por inteiro: pular qualquer um reduz a inscrição da virtude no cérebro.
Os sete passos da Individuação
Entender
Entender que individuar-se é tirar camadas e viver o eu mais profundo, começando por reconhecer quem você não é. É o que você leu na seção anterior.
Reconhecer
Enxergar as máscaras e personas que você veste, de quem você busca aprovação, de quem tem medo de perder, e onde você faz força para ser algo que não é seu.
Afirmar
Ler a afirmação da Individuação em voz alta de manhã e à noite, e escrever uma vez por dia. Use sempre a afirmação canônica integral do Manual.
Ancorar
Levar o refrão "Eu vivo o meu EU mais profundo" ao longo do dia, no celular, num cartão, na mente. É a âncora que mantém a individuação ativa.
Treinar
Fazer os exercícios da individuação, mesmo sem vontade. Praticar sem vontade é o mais valioso: é quando a nova via neural se fortalece.
Pausar no gatilho
Quando bater a vontade de agradar, de pedir aprovação ou de esconder quem você é: respira, conta até cinco e escolhe revelar o seu eu. A pausa interrompe o automatismo.
Registrar e repetir
Anotar no diário onde você foi você hoje e onde vestiu uma máscara, e repetir o ciclo. O registro consolida, a repetição vira estrutura permanente.
A afirmação da Individuação
Esta é a afirmação canônica, do Manual de Eduardo Casarotto. Leia em voz alta ao menos três vezes por dia e escreva uma vez por dia, por inteiro, sem alterar as palavras.
Eu sou a virtude em forma de individuação
Eu não me preocupo com a opinião do outros
Eu não me preocupo com a opinião de meus pais e familiares
Pois eu sei quem sou e aceito quem eu sou
Eu não busco mais ser aceito
Eu não me importo em ser aprovado
Eu vivo o meu EU mais profundo
Deixo minhas máscaras para trás
Deixo múltiplas personalidades para trás
Eu vivo o meu EU mais profundo
Não busco mais o reconhecimento
Não me interessa o aplauso
Eu vivo o meu EU mais profundo
Tomo minhas decisões a partir do meu Eu e não do senso comum
Eu vivo o meu EU mais profundo
Formo minhas ideias a partir do meu EU e não do senso comum
Eu vivo o meu EU mais profundo
Revelo minha identidade em qualquer lugar para qualquer um
Não me preocupo mais com o julgamento dos outros
Eu vivo o meu EU mais profundo
Meus medos e minhas experiências ruins não irão mais me dominar
Eu vivo o meu EU mais profundo
O exercício
Comece aceitando a sua identidade: o nome, o corpo, a origem, a data de nascimento, a história. Isso aqui é você, e é o primeiro bloco. Depois, faça uma lista de todas as proibições que seus pais deram a você e determine quais delas você não quer mais na sua vida. Escreva também os rótulos e crenças que colocaram em você, a bonitinha da escola, o preguiçoso, o que não presta atenção em nada, e escreva o contrário dessas coisas, dizendo em voz alta todos os dias.
Estude outras culturas, veja como outras religiões, países e famílias pensam sobre o que você se questiona. Comece a se relacionar com pessoas diferentes de você, sem preconceito de gênero, raça, condição social ou opinião. E mantenha um diário com as suas percepções de si mesmo: o que é expressão do seu eu e o que é crença, valor ou princípio aprendido.
Medite sobre os momentos em que você faz força para ser aceito e visualize-se vivendo o seu eu com tranquilidade. Reflita: "de quem eu ainda busco aprovação? Quem eu tenho medo de perder? Onde eu deixo de ser eu para caber no que esperam de mim?". Pratique: hoje, dê as notas de zero a dez no seu conhecimento, na sua habilidade e na sua atitude sobre a individuação, tire a média e escreva o novo comportamento que você quer viver.
Para o terapeuta: o manejo
No consultório, individuação se trabalha em três frentes claras. Investigue o superego e o totem-tabu: de quem o cliente ainda quer aprovação, quem ele admira, quem ele quer impressionar. Investigue o medo: de quem ele tem medo de perder e quais os ganhos secundários que o prendem. E investigue os compromissos: onde ele precisa se adequar para sobreviver. Cuidado para não confundir individuação com formação reativa. A formação reativa tem base lógica, nasce de um ponto de dor e forma um traço exatamente contrário a ela. Não é o eu, é reação. Antes de tudo, ajude o cliente a aceitar a própria identidade: sem essa base, não há individuação.
Como a individuação aparece na vida
Quando a individuação cresce, o peso do olhar do outro começa a soltar. Você deixa de medir cada roupa, cada escolha e cada palavra pela aprovação alheia. As decisões passam a nascer do seu eu, e não do senso comum. E acontece um paradoxo bonito que o Eduardo aponta: é quando você abandona a obsessão de exibir o seu eu e se volta para o amor ao próximo que você encontra quem você é. Quem está preocupado em cuidar do outro para de ficar medindo o próprio valor.
Vale lembrar da síndrome do impostor. Aquele "será que eu sou bom o bastante?" acompanha todo mundo que ainda vive no orgulho e na comparação. Sempre vai existir alguém que parece melhor. Individuar-se é sair dessa corrida, aceitar quem você já é e viver a partir daí, sem esperar o aplauso para se sentir capaz.
Você se veste, fala e escolhe sem calcular o que vão achar. Sai das relações com mais energia do que entrou. Revela sua identidade em qualquer lugar, sem medo do julgamento. E percebe quando está vestindo uma máscara, escolhendo, aos poucos, tirar mais uma camada.
Perguntas para se questionar
Reflita sobre cada pergunta com honestidade e, se puder, discuta com outras pessoas. É no atrito com o olhar do outro que a individuação começa a aparecer.
- Você se importa com o que os outros pensam de você?
- Quando você conquista alguma coisa, como um carro, um emprego, uma casa etc., tem vontade de mostrar para as outras pessoas?
- Quando se veste, você pensa no que as pessoas vão achar?
- Você sabe quem você é? Ou você é o que os outros querem que você seja?
- Você está sendo você de verdade ou só está querendo mostrar para os outros que você tem alguma importância?
- Você já deixou de fazer algo pensando no que as pessoas iriam dizer?
- Você acredita que as suas escolhas de religião, parceiro(a) amoroso(a), roupas e jeito de falar foram escolhas suas ou foi por convivência com outras pessoas?
- O que você já fez demonstra seu EU interior de verdade?
- Se você pudesse e tivesse toda a liberdade e dinheiro do mundo, quem você seria hoje?
- O que está te impedindo de ser você mesmo agora, nesse momento?
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Escolha uma das perguntas acima e responda no grupo. Trocar com outras pessoas aprofunda a individuação.
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