As 33 Virtudes
Brandura
'A brandura se torna parte de mim'
A brandura é o contrário do imediatismo. É viver em outra velocidade: falar manso, pensar com calma, esperar antes de responder. E aqui vem a surpresa que o Eduardo faz questão de mostrar: quanto mais calma, mais você percebe o que está bem na sua frente.
O que é brandura
Na Virtologia de Eduardo Casarotto, brandura é viver e se comunicar com calma, cautela e ponderação: usar a fala mansa e de tom gentil, não apressar as coisas, pensar antes de responder. Ela não tem a ver só com comunicação violenta. É uma questão de velocidade e de tamanho: viver sem exagero, sem correr, sem atropelar a vida.
Um ponto que a aula corrige logo de início: brandura não é temperamento herdado, é caráter que se desenvolve. Alguns teóricos tratam a agitação como algo com que a pessoa nasceu e que não muda. O Eduardo discorda: a brandura está dentro da personalidade e pode ser treinada, como qualquer virtude. Ninguém está condenado a ser imediatista.
O vício oposto: o imediatismo
Para entender a brandura, o Eduardo pede para pensar no seu contrário, o imediatismo. Ele não é um jeito normal de ser: é um caráter neurótico que nasce da ansiedade. Vem do lugar de "não vai dar tempo", do medo de não ser escutado, e no fundo de uma ansiedade de morte. O imediatista fala rápido, fala por cima do outro, corre com as palavras porque acredita que, se não correr, vai se prejudicar.
O imediatista vive agitado com medo de perder alguma coisa. Mas o Eduardo é direto: é exatamente assim, com a mente agitada, que você perde de perceber as coisas. O imediatismo é a garantia de não enxergar o que está na sua frente. Quanto menos velocidade, mais você percebe.
Por que a brandura importa: a percepção
A calma pertence ao ego consciente. Uma mente branda está mais consciente, e por isso percebe muito mais. A pessoa calma gera mais conhecimento, raciocina melhor, sintetiza melhor. Um terapeuta brando consegue perceber a fala, o discurso, o ato falho, a microexpressão e ainda cruzar tudo isso ao mesmo tempo. Uma mente agitada só consegue prestar atenção em uma coisa de cada vez.
E isso vale para a vida inteira, não só para a clínica. É a falta de brandura que faz a pessoa não perceber o que acontece com a própria saúde, com a família, com o casamento. A mente agitada está sempre em outro lugar, nunca no presente. A brandura te traz de volta para o momento em que você está.
Imediatismo
Fala acelerada, atropelo, agitação. Nasce do medo e da ansiedade. Percebe pouco, exagera em tudo, vive sempre em outro lugar.
Falso conformismo
Não confundir brandura com timidez ou evitação de ação. Ficar parado por medo não é calma, é outro sintoma disfarçado de mansidão.
Brandura
Age, resolve, tem iniciativa, mas de forma calma, sem impulso e sem agressividade. É calma com ação, não ausência de ação.
O Eduardo faz questão de separar: brandura não é excesso de cautela neurótica, nem falta de ação, nem vergonha. Branda é a pessoa que resolve os problemas e toma iniciativa, só que sem impulsividade. Você é o líder da sua vida. Ninguém quer um líder apressado, que não pensa direito e não percebe as próprias necessidades. Por que ser esse líder para si mesmo?
Como desenvolver a brandura
A afirmação da Brandura tem como refrão-âncora "A brandura se torna parte de mim". Ela se lê em voz alta e se escreve à mão, todos os dias, junto dos sete passos do protocolo. Use sempre a afirmação canônica integral do Manual, sem encurtar nem modificar.
A técnica completa está na página Afirmações Mentais. Abaixo, os mesmos sete passos aplicados à Brandura. Siga por inteiro: pular qualquer um reduz a inscrição da virtude no cérebro. Lembre que formar um caminho neural novo cansa, e se não estiver cansando, ainda não está chegando lá.
Os sete passos da Brandura
Entender
Entender que brandura é viver em outra velocidade, com calma e cautela, e que o imediatismo é um caráter neurótico que nasce da ansiedade. É o que você leu na seção anterior.
Reconhecer
Perceber em você a fala acelerada, a vontade de interromper, o atropelo. Reveja seus pensamentos e enxergue o medo de não ser escutado por trás da pressa.
Afirmar
Ler a afirmação da Brandura em voz alta de manhã e à noite, e escrever uma vez por dia. Use sempre a afirmação canônica integral do Manual.
Ancorar
Levar o refrão "A brandura se torna parte de mim" ao longo do dia, no celular, num cartão, na mente. É a âncora que mantém a calma ativa.
Treinar
Fazer os exercícios de brandura mesmo dando nervoso no começo. Praticar quando não é natural é o que fortalece a nova via neural.
Pausar no gatilho
Quando a pressa disparar numa conversa: espere o outro terminar e conte cinco segundos antes de responder. A pausa interrompe o atropelo.
Registrar e repetir
Anotar como você se saiu nos exercícios do dia e repetir o ciclo. O registro consolida, a repetição vira estrutura permanente.
A afirmação da Brandura
Esta é a afirmação canônica, do Manual de Eduardo Casarotto. Leia em voz alta ao menos três vezes por dia e escreva uma vez por dia, por inteiro, sem alterar as palavras.
Eu sou a virtude em forma de brandura
Eu uso a fala de forma mansa e de tom gentil
Eu não apresso as coisas
A brandura se torna parte de mim
A calma e a tranquilidade reinam em mim
A brandura se torna parte de mim
A ansiedade e a pressa não fazem mais parte da minha vida
Pois sei que isso só me faz atropelar a vida
A brandura se torna parte de mim
Eu domino meu orgulho e a agressividade não faz parte de mim
A brandura se torna parte de mim
Observo a vida com calma
Penso nos problemas com cautela e ponderação
A brandura se torna parte de mim
Eu escuto o que as pessoas falam e penso antes de responder
E de forma humilde e tranquila digo minha opinião
A brandura se torna parte de mim
As dificuldades da vida não roubarão minha brandura pois sei que o imediatismo não resolve
A brandura se torna parte de mim
O exercício
Comece dando notas à sua brandura atual: uma nota para o conhecimento, uma para a habilidade e uma para a atitude, e tire a média. Depois entre no novo comportamento com o treino da resposta em cinco segundos: quando estiver conversando, antes de responder, conte um, dois, três, quatro, cinco, e só então responda. Para o imediatista, esses cinco segundos parecem uma eternidade, e é justamente por isso que treinam o cérebro a esperar.
Some a isso a comunicação não violenta: pausar entre as palavras, usar voz de garganta, esperar o outro terminar de falar, gestos corporais mansos e boa educação, "obrigado", "por favor", "com licença". E treine não entrar na velocidade do mundo: espere a música acabar sem pular, não aperte o botão de próximo episódio, não pule a vinheta das séries, não acelere os áudios. São pequenos treinos que ensinam o cérebro a saber esperar.
Medite baixando a velocidade da mente e trazendo a atenção para o momento presente, o clima, o ambiente, o corpo. Meditação e mindfulness são ótimos caminhos, mas ganham força quando somados ao conhecimento da brandura. Reflita: "onde eu ando acelerado com medo de perder alguma coisa? O que deixo de perceber por causa da minha pressa?". Pratique: escolha uma situação do dia para fazer com calma e cautela, sem impulso, e observe o que você passa a enxergar.
Como a brandura aparece na vida
Quando a brandura cresce, a percepção aumenta. A pessoa passa a enxergar as dinâmicas da própria família, do casamento, da saúde, coisas que antes lhe escapavam por causa da agitação. Ela consegue estar presente no lugar onde está, sentir o ambiente, viver o momento em vez de estar sempre correndo para o próximo. A comunicação fica mais mansa e, com isso, as pessoas escutam mais.
A brandura também traz moderação: sem ela, os excessos, os vícios e as compulsões ficam maiores, porque a pessoa nem percebe que exagerou. E ela anda de mãos dadas com a utilidade, porque a mente calma consegue distinguir o que é realmente útil do que só preenche o tempo. Curar a pressa deixa a vida inteira mais clara.
Você se pega esperando o outro terminar de falar sem atropelar. Consegue contar até cinco antes de responder e o nervoso já não aperta tanto. Percebe coisas do ambiente e das pessoas que antes passavam batido. E toma decisões com cautela, sem a agitação de quem tem medo de que o tempo acabe.
Perguntas para se questionar
Reflita sobre cada pergunta com honestidade e, se puder, discuta com outras pessoas. É no atrito com a própria pressa que a brandura começa a aparecer.
- Você fala de forma acelerada?
- Você interrompe as pessoas enquanto elas estão falando?
- Você tem emoções e reações intensas?
- Você acredita que a comunicação violenta estimula as brigas? Por quê?
- Você normalmente responde às pessoas de forma rude, agressiva, ou fala com calma, pausadamente?
- Você acha que quando fala calmamente e de forma doce, as pessoas te dão mais atenção?
- Você consegue controlar as suas emoções ao falar com alguém?
- Quando alguém fala com você de forma branda, você escuta mais?
- "A pressa é inimiga da perfeição". Por que isso pode te ajudar?
- De que maneira você faz melhor as suas tarefas: de forma branda ou de forma imediatista?
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Escolha uma das perguntas acima e responda no grupo. Trocar com outras pessoas aprofunda a brandura.
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