Fundamentos · instrumento de investigação
As Nove Áreas da Vida
A mesma lei aparece diferente em cada área. A pessoa pode estar funcional em três e travada na quarta.
Casarotto ensina que a vida se discute em nove grandes assuntos, e que todo problema humano cai em um deles. Esta página traz as nove, mostra por que a investigação se faz por área e não pela pessoa inteira, e ensina a conduzir a roda que descobre onde o sintoma está pegando.
A mesma lei, em lugares diferentes
Uma mulher não está funcional com o movimento. Isso quer dizer o quê, exatamente?
No trabalho ela está parada há oito anos no mesmo cargo, sem tentar nada. Em casa ela não para um minuto, faz tudo, resolve tudo, não senta. Com o corpo ela não se mexe. Nas amizades ela troca de grupo toda hora e nunca aprofunda.
É a mesma lei, e são quatro quadros diferentes
Perguntar "como está o movimento na sua vida" devolve uma resposta média, que não serve para nada. Perguntar área por área devolve o mapa.
Na aula de 12/08/2026 ele deu o exemplo: "às vezes você tem uma personalidade que está funcionando muito bem no caos da vida, e a outra não funciona nada no caos. Mas eu funciono muito bem na vibração e ela não."
Funcional é sempre funcional em quê. Nunca a pessoa inteira.
Os nove assuntos da vida inteira
Elas são de Eduardo Casarotto, apresentadas na aula de 01/07/2026. E a afirmação dele é forte:
| A área | O que ela cobre |
|---|---|
| Relação com o divino | espiritualidade, religião, no que a pessoa se apoia quando não depende dela, e a morte |
| Vínculos | o círculo inteiro das relações, do vínculo mais profundo ao desconhecido |
| Dinheiro | não é só sobrevivência. Passa por poder, conforto, estética e segurança ao mesmo tempo |
| Trabalho e propósito | a sobrevivência e o sentido, e eles nem sempre andam juntos |
| Sexualidade | uma grande área por si só, e das menos investigadas |
| O mundo | o quanto a pessoa participa do mundo, ou vive dentro da própria bolha |
| Si mesmo | corpo, mente, emoções, estudo, disciplina. O quanto ela consegue olhar para si |
| Identidade | quem sou, de onde vim, quem compõe a minha história, e quem serei |
| Importância | reconhecimento e posição. É onde o orgulho mora, e é quase sempre a área raiz |
O mundo e si mesmo funcionam como escala, não como sim ou não. Tem gente que literalmente não faz parte do mundo, e tem gente que não consegue olhar para si nem no corpo nem nas emoções.
A importância é a única que é área da vida e neurose ao mesmo tempo. A versão madura é saber o próprio valor sem que isso torne a pessoa melhor que ninguém.
As nove áreas não substituem as necessidades, elas se intercalam. Nas palavras dele: "se você entender as cinquenta e uma necessidades, você automaticamente vai entender as nove áreas".
Descobrir onde pega
Antes de investigar qualquer coisa, ache a área. Leva cinco minutos e economiza sessões inteiras.
Como conduzir
Peça uma nota de zero a dez para cada área, pensando em como está hoje, e não em como ela gostaria que estivesse.
Não explique o que cada área significa. Deixe ela interpretar, porque o jeito como ela entende já é informação.
Depois pergunte três coisas: qual dessas notas mais te incomoda? qual delas você acha que puxa as outras para baixo? e qual você nem tinha pensado até agora?
Investigue a que ela apontou como a que puxa as outras. Quase nunca é a de nota mais baixa, e é aí que está o trabalho.
Como fica uma área
Achada a área, entram as perguntas dela. Este é o bloco de trabalho e propósito, completo, para você ver o formato.
Trabalho e propósito, as perguntas
Há quanto tempo você faz o que faz hoje? E há quanto tempo você faz do mesmo jeito?
Quando foi a última vez que você tentou uma coisa nova aí e deu errado?
O que precisaria estar garantido para você mudar alguma coisa no seu trabalho?
O seu trabalho serve a alguém além de você? Você consegue ver isso no dia a dia?
Você é a mesma pessoa no trabalho e em casa? Onde é mais cansativo?
Se ninguém precisasse saber, o que você faria da vida?
Anos no mesmo lugar e nenhuma tentativa recente: Movimento e Ciclos.
Lista longa de garantias antes de mudar: Caos.
Não consegue ver a quem serve: Serviço, e costuma vir junto com esvaziamento de sentido.
Pessoa diferente no trabalho: Verdade, e o cansaço aqui é de fachada, não de tarefa.
Trava na última pergunta: Evolução e Propósito. Quem não consegue imaginar ainda não tem estrutura para o passo.
Repare no que faz esse bloco funcionar. Não é a lista de perguntas, que qualquer um monta. É a coluna de baixo, o que escutar, que transforma a resposta em leitura.
Duas perguntas de cada
Para você sentir o corte de cada área. Cada uma tem seis perguntas e a sua própria leitura.
Relação com o divino
No que você se apoia quando a coisa não depende de você?
O que te sustentou da última vez que desabou?
Vínculos
Quem sabe que você está assim?
Quem você procura quando dá errado? E quem te procura?
Dinheiro
Você sabe quanto entra e quanto sai por mês? Sem consultar nada.
O que você aprendeu sobre dinheiro na casa onde você cresceu?
Sexualidade
Você fala sobre isso com alguém?
Tem alguma coisa que você gostaria e não pede?
O mundo
Em quantos lugares diferentes a sua semana acontece?
Quando foi a última vez que você fez algo por alguém que não conhece?
Si mesmo
Como está o seu sono? Você dorme, ou desmaia e acorda cansada?
O que você faz quando o corpo avisa que não aguenta?
Identidade
Se alguém te perguntar quem você é, o que você responde primeiro?
Quem você era há dez anos? E o que sobrou dela?
Importância
O que acontece quando não reconhecem o que você faz?
Você aceita ajuda?
Se você só puder investigar uma, investigue a importância. É a sede do orgulho, e a área raiz na maioria dos casos.
Como usar isso sem virar interrogatório
Nenhuma sessão usa todas as perguntas. Escolha a área, use três ou quatro, e siga o que a pessoa trouxer.
Quando a pessoa leva tempo para lembrar de algo bom, ou não acha ninguém que a procure, o silêncio já entregou o quadro. Não preencha o silêncio.
É o uso mais forte do método. A pessoa responde bem sobre movimento no trabalho e trava sobre movimento no corpo. Ali está o recorte.
E a regra de sempre: o que sai daqui é o quadro, não o veredito. A leitura organiza. Quem decide o caminho é o trabalho clínico, com a pessoa junto.
Pergunte pela vida dela. A lei aparece sozinha na resposta.
As nove áreas inteiras
Você viu uma área completa e duas perguntas de cada uma das outras oito. São cinquenta e quatro perguntas ao todo, cada uma com a sua leitura, mais a roda que descobre onde começar.
A Roda da Vida do MDP
A cliente responde a roda no celular, sozinha antes da sessão ou com você junto.
Sai o quadro pronto, com as notas ordenadas, a área que puxa as outras já apontada, as respostas e um campo onde você registra o que observou, que é o que nenhum questionário captura.
O quadro sai num formato fixo, com código da cliente e data, para empilhar sessão sobre sessão e ver o que andou.
A leitura continua sendo sua. A ferramenta organiza, não decide.
Ela está em teste fechado com as primeiras virtólogas, e abre em Os Instrumentos assim que ficar pronta. Quem está no grupo do MDP Estudos é avisada primeiro.