As 33 Virtudes
Flexibilidade
'Eu sou uma pessoa flexível'
Flexibilidade é manter os ouvidos abertos para qualquer opinião, sem a rigidez de achar que a sua visão é a única certa. No fundo, é uma humildade: reconhecer que a gente não sabe tudo, que está em evolução, e que visões diferentes podem trazer algo novo.
O que é flexibilidade
Na Virtologia de Eduardo Casarotto, flexibilidade é estar aberto a mudanças e a outros pontos de vista, com os ouvidos abertos para qualquer tipo de opinião, sem rigidez. É a pessoa que não se acha sabedora de tudo. Toda vez que uma opinião sai da sua boca com certeza absoluta, "isso é assim e ponto", falta flexibilidade. A posição mais coerente é sempre "até o presente momento, o que entendo e penso é...".
Por que essa humildade? Porque, como o Eduardo insiste, a gente não sabe quase nada. O que ontem era certo hoje é errado, o que parecia verdade se desfaz. Ter convicção rígida sobre qualquer coisa neste mundo ainda tão primitivo é, no mínimo, insensato. Basta lembrar de tudo que já se afirmou com toda a certeza no passado e depois mudou por completo.
O vício oposto: a inflexibilidade
Aqui está a chave que o Eduardo pede para gravar: a inflexibilidade é um mecanismo de defesa. Certas pessoas teimam em ter certeza de algo apenas por orgulho, pela necessidade de ter importância, de estar certas e de mostrar aos outros que sabem tudo, com a ilusão de que assim serão aprovadas e aceitas. A rigidez de opinião, no fundo, é uma arrogância.
As nossas ideias, crenças, locais e linguagens nos dão uma sensação de segurança, como sentar sempre na mesma carteira da escola. Quando uma ideia nova ameaça essa estrutura, ela ameaça a nossa segurança, e o cérebro reage atacando: "não tem nada disso, é um absurdo". Não é a verdade que está em jogo, é o medo de perder o chão que aquela estrutura sustentava.
Segurança, medo e o cérebro primitivo
Ser flexível, então, é aceitar as inseguranças. É reconhecer que nada dá segurança de verdade: a casa, a religião, as certezas, tudo é uma ilusão de segurança que pode ruir a qualquer momento. Montar estruturas de ideias e não deixar ninguém tocar nelas é só uma defesa para continuar se sentindo seguro. E, enquanto a pessoa age assim, ela age pelo medo.
O Eduardo dá um teste simples: quando você está inseguro, aflito ou angustiado, não é o seu lobo frontal que está pensando, é o tronco cerebral, o cérebro primitivo que só sabe atacar ou fugir. O preconceito nasce daí, é sempre um mecanismo de defesa de uma estrutura antiga. Grandes intelectuais fazem guerras não por falta de inteligência, mas porque estão funcionando no medo e no orgulho.
Inflexibilidade
Certeza rígida, defesa da própria opinião a todo custo. Nasce do orgulho e do medo de perder a segurança. Ataca o diferente para não mudar.
Orgulho e controle
A necessidade de estar certo, de saber mais, de controlar as situações e as pessoas. É o combustível da rigidez e da recusa em escutar.
Flexibilidade
Ouvidos abertos, "até o momento penso assim". Reconhece a própria evolução e vê na visão diferente uma chance de aprender algo novo.
Uma pessoa orgulhosa dificilmente escuta a opinião de outra, e uma pessoa egoísta dificilmente aceita mudanças que não a beneficiem. Por isso a flexibilidade caminha com a humildade e com a aceitação: aceitar que tudo pode ser verdade, que você pode estar errado, e não julgar. Estar aberto ao diferente é o que abre espaço para a evolução.
Como desenvolver a flexibilidade
A afirmação da Flexibilidade tem como refrão-âncora "Eu sou uma pessoa flexível". Ela se lê em voz alta e se escreve à mão, todos os dias, junto dos sete passos do protocolo. Use sempre a afirmação canônica integral do Manual, sem encurtar nem modificar.
A técnica completa está na página Afirmações Mentais. Abaixo, os mesmos sete passos aplicados à Flexibilidade. Siga por inteiro: pular qualquer um reduz a inscrição da virtude no cérebro.
Os sete passos da Flexibilidade
Entender
Entender que flexibilidade é estar aberto a outras visões, e que a inflexibilidade é um mecanismo de defesa nascido do orgulho e do medo. É o que você leu na seção anterior.
Reconhecer
Enxergar em você as opiniões que defende com rigidez e a certeza que vira ataque quando alguém discorda. Pergunte-se qual insegurança aquela estrutura está protegendo.
Afirmar
Ler a afirmação da Flexibilidade em voz alta de manhã e à noite, e escrever uma vez por dia. Use sempre a afirmação canônica integral do Manual.
Ancorar
Levar o refrão "Eu sou uma pessoa flexível" ao longo do dia, no celular, num cartão, na mente. É a âncora que mantém a abertura ativa.
Treinar
Substituir o "isso é assim" pela frase "até o presente momento, o que entendo e penso é...". Treinar escutar a visão do outro mesmo quando você tem certeza fortalece a nova via neural.
Pausar no gatilho
Quando bater a vontade de atacar uma ideia diferente: perceba se você está inseguro ou com medo, e escolha escutar antes de reagir. A pausa tira você do cérebro primitivo.
Registrar e repetir
Anotar onde você foi rígido e onde conseguiu se abrir hoje, e repetir o ciclo. O registro consolida, a repetição vira estrutura permanente.
A afirmação da Flexibilidade
Esta é a afirmação canônica, do Manual de Eduardo Casarotto. Leia em voz alta ao menos três vezes por dia e escreva uma vez por dia, por inteiro, sem alterar as palavras.
Eu sou a virtude em forma de flexibilidade
Eu domino meu orgulho e não me importo de estar errado
Eu sou uma pessoa flexível
Eu sei que estou em evolução e preciso aprender novas visões
Eu sou uma pessoa flexível
Eu não busco estar certo
Eu não busco o reconhecimento em saber mais
Eu sou uma pessoa flexível
Eu não tenho a necessidade de controlar as situações e nem as pessoas
Eu sou uma pessoa flexível
Eu me abro para escutar com brandura todas as pessoas em todas as situações
Eu sou uma pessoa flexível
Eu não julgo as pessoas
Eu não me coloco acima do conhecimento das pessoas
Eu sou uma pessoa flexível
Eu compreendo que visões diferentes podem trazer algo novo e a evolução em minha vida
Eu sou uma pessoa flexível
O exercício
Comece trocando a forma como você afirma as coisas. No lugar de "isso é assim", experimente abrir cada opinião com "até o presente momento, o que entendo e penso é...". Essa frase deixa claro, para os outros e para você mesmo, que você não sabe de tudo e nem tem a necessidade de saber. É um pequeno treino que afrouxa a rigidez.
Depois, escolha uma opinião ou bandeira que você costuma defender com firmeza, política, religião, alimentação, qualquer uma, e treine escutar de verdade quem pensa o contrário, sem atacar e sem julgar. Ao sentir a vontade de rebater, faça a pergunta-chave: eu estou defendendo a verdade, ou estou defendendo a minha segurança?
Medite sobre a ideia de que nada oferece segurança absoluta e que tudo pode mudar, deixando a mente se abrir para o novo. Reflita: "quais certezas eu defendo só para me sentir seguro? Onde o meu orgulho me impede de escutar?". Pratique: hoje, diante de uma opinião diferente da sua, escute até o fim antes de responder e pergunte-se o que aquela visão pode ter de novo para você.
Como a flexibilidade aparece na vida
Quando a flexibilidade cresce, a pessoa para de precisar estar certa. Ela consegue mudar de opinião quando faz sentido e mudar rápido a forma de fazer as coisas quando elas estão dando errado, sem sentir que está perdendo. Escutar deixa de ser ameaça e vira aprendizado: as visões diferentes passam a trazer algo novo em vez de provocar ataque.
Ela também dissolve o preconceito, porque desarma o mecanismo de defesa que separava as pessoas em "certas" e "erradas". Quem é flexível respeita as diferenças de cultura, de raça, de opinião, sem julgar, porque aceitou que não sabe tudo e que tudo pode ser verdade. É uma vida com menos medo e mais evolução, sustentada pela humildade de estar sempre aprendendo.
Você se pega dizendo "até agora eu penso assim" em vez de "é assim e ponto". Consegue escutar quem discorda sem que aquilo vire uma briga interna. Muda de rota quando algo não está funcionando, sem se apegar por orgulho. E percebe, no meio da discussão, quando está defendendo apenas a sua segurança.
Perguntas para se questionar
Reflita sobre cada pergunta com honestidade e, se puder, discuta com outras pessoas. É no atrito com as próprias certezas que a flexibilidade começa a aparecer.
- Você consegue mudar de opinião rapidamente ou tenta sempre defender o seu ponto de vista?
- Você consegue mudar rápido a forma de fazer as coisas se elas estão dando errado?
- Você ouve, aceita e respeita opiniões diferentes das suas?
- Você consegue respeitar as diferenças culturais de raça, gênero, sexo etc.?
- Você é aberto às mudanças?
- Quando alguém não é flexível com você, como se sente?
- Mesmo tendo certeza de que está certo, você para e pensa na visão que o outro está te apresentando?
- Você acredita que pessoas orgulhosas escutam a opinião de outras pessoas?
- Você acha que uma pessoa egoísta é capaz de aceitar mudanças que não tragam benefícios a ela?
- O que você poderia fazer agora para ser mais flexível?
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Escolha uma das perguntas acima e responda no grupo. Trocar com outras pessoas aprofunda a flexibilidade.
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